Comemorações dos 100 anos do armistício

Diversos eventos comemoraram no Rio de Janeiro o centenário do fim da 1a Guerra Mundial

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Em 2018, o mundo festeja os 100 anos do armistício da 1a Guerra Mundial, assinado em 18 de novembro de 1918, em Compiègne, na França, que pôs fim a uma das mais sangrentas guerras de todos os tempos.

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No Rio de Janeiro, as comemorações tiveram início no dia 9, sexta-feira, com uma cerimônia realizada na Praça Mauá, pelo 1o Distrito Naval da Marinha Brasileira. O evento contou com as presenças de Jean-Paul Guihaumé e Jean-François Laborie - cônsul geral e cônsul adjunto da França no Rio -, assim como os cônsules-gerais da Grã-Bretanha e da Bélgica, além do cônsul adjunto da Alemanha.

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As celebrações continuaram na segunda-feira, 12, com duas homenagens: a primeira, pela manhã, no cemitério São João Batista, no mausoléu da "Association Française des Anciens Combattants" (Associação Francesa dos ex-combatentes).

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No início da tarde, as homenagens foram no Consulado Geral da França no Rio de Janeiro.

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Estavam presentes os cônsules gerais da Alemanha, da Bélgica e do Canadá; os representantes eleitos dos franceses no exterior e militares franceses e brasileiros; e alguns ex-combatentes franceses, dentre os quais M. Wainer Capelli, que participou da 2a Guerra Mundial e que estava festejando, neste mesmo dia, 98 anos de vida.

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O cônsul-geral Jean-Paul Guihaumé fez um breve discurso, lembrando os horrores dos anos de guerra e se solidarizando com os mortos e suas familias, ressaltando a importância da vigilância para que a paz continue.

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Em seguida, o cônsul leu a mensagem enviada pelo Presidente da Republica Francesa às embaixadas da França :

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Mensagem do Presidente da Republica Francesa
Por ocasião do centenário do Armistício de 1918
11 de Novembro de 2018:

"Um século.
Faz um século que o Armistício do dia 11 de novembro veio dar fim aos combates fratricidas da Primeira Guerra mundial.

Um confronto interminável de nação contra nação, do povo contra o povo. Nas trincheiras cheias de lama, sangue e lagrimas. Às tempestades de fogo e metal que atormentavam e rasgavam até os mais calmos dos céus. Os campos de batalha destroçados e a morte onipresente.

No dia 11 de novembro de 1918, um enorme suspiro de alivio atravessou a França. Começou em Compiègne, onde o Armistício foi assinado de madrugada, e se propagou até os campos de batalha.

Finalmente, depois de quatro intermináveis anos de barulho e furor, de noite e terror, as armas se calaram no front ocidental.

Finalmente, o ressoar funesto dos canhões deu lugar ao clamor alegre da salva de sinos que ressoava por toda parte, nas esplanadas das cidades e nas praça dos vilarejos.

Por toda parte comemoramos com orgulho a vitória da França e de seus aliados. Nossos soldados não lutaram à toa; eles não morreram em vão: a pátria está salva e a paz, finalmente, vai voltar!

Mas por toda parte se vê a destruição e isso aumenta o nosso pesar: ali, um filho chora a morte do pai; aqui, um pai chora pelo filho; lá e por toda parte, uma viúva chora por seu marido. Por toda parte vemos desfilar cortejos de mutilados e estropeados.

Francesas e Franceses de cada uma de nossas cidades, Francesas e Franceses de todas as gerações e de todas as origens, estamos aqui reunidos neste dia 11 de novembro.

Para comemorar a Vitória. E também para celebrar a Paz.

Nós nos reunimos em nossas comunidades, em nossos monumentos aos mortos, para homenagear e demonstrar nosso reconhecimento à todos os que nos defenderam no passado, e também aos que nos defendem hoje, sacrificando inclusive suas próprias vidas.

Nós nos lembramos dos nossos ‘Poilus’, que morreram pela França. De nossos civis, muitos dos quais também perderam a vida. Dos nossos soldados, que ficaram marcados para sempre na carne e na alma. De nossos vilarejos destruídos, nossas cidades devastadas.

Nós lembramos também do sofrimento e da honra de todos os que deixaram suas terras e vieram da África, do Pacífico e da América, para as terras da França, que eles nunca tinham visto, mas que assim mesmo defenderam com valentia.

Nós lembramos o sofrimento e a honra dos dez milhões de combatentes de todos os países, que foram mandados para esses combates terríveis.

Francesas, Franceses, estamos também unidos neste dia pela consciência da historia e para nos recusarmos a que ela se repita.

Pois esse século que nos separa dos terríveis sacrifícios das mulheres e homens dos anos 14 a 18 nos ensinou que a Paz é delicada.

Nós sabemos com que força os nacionalismos e os totalitarismos podem arrebatar democracias e colocar em perigo a própria ideia de civilização.

Nós sabemos a celeridade com a qual uma ordem multilateral pode desmoronar.

Nós sabemos que a Europa unida, forjada a partir da reconciliação entre a França e a Alemanha, é um bem mais frágil que nunca.

Vigilância! Este é o sentimento que deve nos inspirar a assustadora lembrança da hecatombe da Grande Guerra.

Assim, seremos dignos as memoria daquelas e daqueles que há um século, foram mortos. Assim seremos dignos do sacrifício daquelas e daqueles que fazem com que estejamos aqui hoje, unidos, como povos livres.

Viva a Europa em paz!
Viva a Republica!
E viva a França!"

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Uma coroa de flores foi depositada no monumento ao soldado desconhecido, como um gesto de agradecimento a todos os que lutaram pela liberdade da França, da Europa e do mundo.

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Após a cerimônia, o Cônsul da Bélgica convidou os presentes a visitarem uma exposição fotográfica com imagens de combatentes estrangeiros durante a Primeira Guerra.

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Patrocinada pelo Consulado da Belgica e com o apoio do Consulado da França, a exposição está aberta ao público até o dia 21 de dezembro na BiblioMaison, a Midiateca da Casa Europa.

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O ex-combatente Wainer Capelli conta suas recordações ao Cônsul geral da França, Jean-Paul Guihaumé.

O evento foi um momento emocionante para todos os participantes.

publié le 27/11/2018

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