Diálogos sobre mídia independente no Brasil e na França

Sexta-feira, 5 de maio, um bate-papo no Galpão Bela Maré, sobre mídia independente no Brasil e na França, reuniu os jornalistas Edwy Plenel (Mediapart) e Leandro Demori (The Intercept Brasil)

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Diante de uma plateia jovem, em sua maioria composta por futuros jornalistas da escola de comunicação da comunidade Cidade de Deus, aconteceu o evento “Diálogos sobre mídia independente no Brasil e na França”, uma realização do IMJA – Instituto Maria e João Aleixo, em parceria com o Consulado geral da França no Rio de Janeiro, o Instituto Francês do Brasil e o Observatório de Favelas. O objetivo foi trazer assuntos e perspectivas para uma nova e mais independente abordagem do jornalismo.

Para compor o encontro, trazendo uma visão brasileira sobre o tema, o convidado foi Leandro Demori, editor-executivo do The Intercept Brasil. E para um ponto de vista francês, Edwy Plenel, ex-diretor do Le Monde e fundador do jornal Mediapart. Duas publicações independentes e de peso, nascidas a partir de uma necessidade de fazer diferente.

The Intercept surgiu em 2014, publicando uma bomba: os vazamentos feitos pelo ex-analista Edward Snowden sobre espionagem e escutas telefônicas realizadas pela CIA e pela Agência Nacional de Segurança americana (NSA). O objetivo do site era – e ainda é - produzir conteúdo único e original sobre questões políticas, econômicas, sociais e culturais. Já o Mediapart veio ao mundo em 2008, em um contexto onde os principais jornais franceses tinham sido comprados por grandes grupos financeiros. Seu surgimento veio da necessidade da criação de um contraponto à mercantilização da notícia, por meio de um jornal online, independente e participativo.

Entre as numerosas questões levantadas no encontro, algumas chamaram nossa atenção: como se livrar do preconceito de um jornal independente ser tratado como ativista? Como devem proceder os jornalistas ao denunciarem atividades ilícitas de grupos poderosos, a exemplo do caso do assassinato da vereadora Marielle Franco?

Também foram abordados assuntos como a ausência de diversidade e pluralidade dos meios de comunicação de massa, no contexto dos oligopólios midiáticos brasileiro e francês. E ainda a importância de tratar problemáticas de interesse público desprezadas pelas mídias tradicionais, combatendo a invisibilidade desses temas.

Por fim, ao tratar do modelo econômico pelo qual optar quando se é mídia independente, Edwy Plenel lembrou como é fundamental não receber ajuda financeira do estado ou de empresas. Segundo o jornalista, os únicos que podem comprar a informação são os leitores.

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Entrevista com Revista Periferias

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Créditos: Marcia Faria (IMJA- Instituto Maria e João Aleixo) e Imagens do povo/ Observatório das Favelas

publié le 11/05/2018

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