"E agora, Brasil?", com Raul Jungmann

Ministro fala sobre intervenção no Rio e segurança pública em evento organizado pelo jornal O Globo e realizado no Consulado da França.

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E agora, Brasil?

Mais do que uma questão retórica, o título acima é o nome de um evento que acontece bimestralmente no espaço cultural do Consulado da França no Rio de Janeiro, o espaço MAISON. Organizado pelo jornal O Globo, o encontro traz convidados para discutirem temas relevantes e em evidência no país.

As edições anteriores receberam personalidades e políticos como o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso, o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, a presidente do Supremo Tribunal Federal Carmen Lúcia, o governador de São Paulo Geraldo Alckmin, o juiz Sérgio Moro e o ministro do planejamento Dyogo de Oliveira, que debateram assuntos como Lava Jato e reforma da previdência com os entrevistadores e a plateia de convidados.

O evento dessa 3a feira, 3 de abril, recebeu Raul Jungmann, ministro extraordinário da segurança pública do Brasil, e Renato Sérgio Lima, diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A dupla de convidados foi entrevistada pelos jornalistas Merval Pereira (O Globo/Globonews) e Ancelmo Góis (O Globo). E o assunto não poderia ser outro além do tema mais discutido no país nesse momento: a intervenção federal na segurança do Rio de Janeiro, decretada em fevereiro pelo presidente Michel Temer.

Logo no início de sua fala, Jungmann disse que o presidente deverá anunciar, ainda essa semana, uma medida provisória instituindo novos recursos, "significativos", para a segurança e estabelecendo contratos de gestão com os estados, que precisarão se comprometer a fornecer bons resultados na diminuição da criminalidade. Segundo o ministro, a medida é necessária, pois “a saúde tem um piso mínimo e o Sistema Único de Saúde, a educação tem piso mínimo, só a segurança não avançou nada desde a constituição de 1988”.

Para Renato Sérgio Lima, nosso modelo constitucional está errado, pois quase não dá atribuição de segurança às cidades e à União. Segundo ele, os governos federais se desinteressaram do tema por não terem nem atribuição e nem recursos para isso.

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Ao ser questionado sobre a falta de resultados positivos da intervenção, Raul Jungmann afirmou que há um déficit na comunicação desses resultados, mas eles “começarão a aparecer em breve”. E completou: “Não adianta colocar o exército na rua para o crime voltar na hora que eles retornam aos batalhões, é preciso inteligência. E não tem uma só instituição pública que não participe desse esforço: Banco Central, Receita Federal, sistema carcerário, Ministério Público..."



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Segundo Renato Sérgio Lima, é preciso pensar em um novo modelo para a segurança. “A intervenção não será efetiva se o exército apenas subir o morro. É preciso reestruturar as polícias e é necessário acabar com as indicações políticas”. Ele também acredita que deve haver um financiamento da segurança por parte do ministério extraordinário e devem ser pensadas medidas para valorizar o trabalho dos policiais.

Quando o foco passou a ser o sistema carcerário, Jungmann foi taxativo ao declarar que ele é o berço das organizações criminosas no país. Seu pensamento foi completado por Renato, explicando que, das 30 facções existentes no Brasil, 27 surgiram nas prisões. O ministro ainda levantou uma questão: “será que um jovem que é pego com drogas, mas não tem antecedentes criminais, deveria mesmo ir para a prisão? Talvez seria melhor se fosse para a assistência social, para não ser entregue de mão beijada ao crime”.

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O problema das drogas norteou a sequência do debate. Para Raul Jungmann, o Rio de Janeiro tornou-se um “hub” internacional de distribuição de entorpecentes. O ministro acredita que é preciso mudar o posicionamento do Brasil em relação aos países vizinhos produtores de drogas, pois "não há recursos para blindar uma fronteira como a nossa". O esforço deve ser transnacional, em cooperação com outros países, e não apenas local.

Por fim, ao ser questionado sobre os assassinatos da vereadora Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes, Jungmann foi breve: disse que começam a aparecer evidências sobre os culpados, e a investigação aponta para um crime político.

Após o evento, debatedores e demais convidados se confraternizaram em um almoço servido no local, unindo boa conversa, boa comida e uma bela vista panorâmica do Pão de Açúcar. O Consulado da França no Rio e o embaixador da França no Brasil Michel Miraillet sentem-se orgulhosos de receber e participar dos debates políticos de “E agora, Brasil?”.

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O Ministro Raul Jungmann ao lado do Ministro Conselheiro da Embaixada da França no Brasil, Gilles Pecassou e do Cônsul geral adjunto da França no Rio de Janeiro, Jean-François Laborie.

publié le 05/04/2018

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