Encontro entre o Bureau du Livre do Institut Français do Brasil e a Companhia Teatral Morrinho

A gravação do vídeo de lançamento da Culturethèque – a biblioteca digital do Institut Français do Brasil – teve lances memoráveis. Acompanhe os melhores momentos.

“Vinicius, pode me mandar o contato daquela companhia de teatro sobre a qual nós falamos na abertura da FLUP?”. Poucos dias antes do envio desta mensagem, o pessoal do escritório do livro do Institut Français do Brésil encontrou Vinicius Azevedo, na Festa Literária das Periferias do Rio de Janeiro. Conversa vai, conversa vem, falaram dos projetos do grupo “Morrinho”, uma companhia de teatro de Santa Teresa, bairro carioca famoso por concentrar artistas de todas as áreas.

O grupo começou a se formar quase por acaso, durante um encontro entre Alexandre Lage, diretor, ator, pedagogo, e Cirlan Oliveira, artista plástico já conhecido pelo “Projeto Morrinho” na comunidade Pereira da Silva. Juntos, eles resolveram montar em 2012 um grupo de teatro em que não houvesse “nenhum tipo de exclusão, nem social, nem racial, nem sexual...”. Desde então, toda semana eles recebem o público em seus ensaios abertos e realizam pelo menos uma apresentação por ano. O projeto mais recente, chamado de “A Origem”, apresentado no Palácio do Catete em agosto de 2017, foi selecionado pela Secretaria do Estado da Cultura do Rio de Janeiro para fazer parte do programa “Territórios culturais, favela criativa”.

No escritório do serviço cultural do Consulado da França, dias após a descoberta dessa nova companhia de teatro, o Institut Français definia o roteiro do trailer da Culturethèque, uma biblioteca digital que é conectada às mais de cinquenta bibliotecas da Aliança Francesa do Brasil e à BiblioMaison – biblioteca da Maison de France. Estavam marcados 4 dias de filmagem com uma equipe da produtora Moov, 9 cenas para rodar, 28 atores para selecionar …

O telefone tocou, era Alexandre Lage: ele estava no centro do Rio e marcou um café na esquina da Av. Antonio Carlos com a Av. Churchill. Uma hora e alguns expressos mais tarde, estava marcado: a companhia Morrinho vai participar do trailer da Culturethèque. A escolha dos atores será no sábado seguinte, durante o ensaio em Botafogo.

Quinta-feira, 7 de dezembro de 2017, primeiro dia de filmagem, 11h da manhã: Alexandre, José, Rossana, Daniel e William vestem a mesma camiseta que usam em seus ensaios. Eles ocupam o palco do CinéMaison e fazem uma improvisação diferente, “sendo eles mesmos”. Os movimentos dos atores seguem a voz do diretor, que está na plateia. Com um tablet na mão, ele tem na tela os versos da peça Berenice, de Racine. De tarde, a equipe se reune no Café Maison, para rodar a segunda cena. Os atores Maria Clara, Luan, Francigerry, Luiz e Luisa assumem sucessivamente os papéis de cliente, leitor e garçom. O piso quadriculado em preto e branco do café compõe um cenário perfeito. Sem falar das gostosuras da vitrine. O ambiente descontraído do lugar favorece os movimentos da câmera e dos figurantes. Os funcionários do café participam em off, se divertindo.

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Sexta-feira, 8 de fevereiro de 2018, 18h: dois taxis saem do Consulado da França com o pessoal que vai se encontrar com a equipe de filmagem na Aliança Francesa de Botafogo. Lá, os figurantes Raisa, Sandra, Madeleine, Rayssa, Fernando e Denise estavam se aprontando para a cena da sala de aula. De volta à escola, cada um com seu livro, de frente para o quadro negro. Fernando, o mais novo da turma, não é ator, mas chama a atenção do diretor, que lhe pede para repetir um plano mais próximo. E a filmagem segue com uma série de takes, com imagens para o filme e para um belo making-of!

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Terça-feira, 19 de fevereiro de 2018: terceiro dia de filmagem, depois de uma noite bem curta. Uma das atrizes foi substituída em cima da hora por Diana, que estava de passagem pelo Rio e foi apresentada naquele mesmo dia à equipe do Bureau du livre, em Copacabana. Às 8 da manhã, a equipe já estava toda pronta no carro do diretor, indo em direção ao Arpoador para rodar a cena da praia. Chegando lá, as atrizes Denise e Diana se sentam na areia ainda húmida da noite. Com o céu encoberto, a câmera grava algumas cenas enquanto a equipe arruma os últimos detalhes e registra a naturalidade das estrelas molhando os pezinhos na beira do mar, entre surfistas e alguns turistas curiosos. Três horas mais tarde, debaixo de um sol a pino, a equipe se separa e vai para a pista de skate da Lagoa. Lá eles encontram Cirlan e David, que já começaram a fazer suas manobras. Os dois skatistas ocasionais entram rapidamente no clima da filmagem. O diretor grita “Ação!” e os dois começam a dar seus pulos, sincronizados com o drone que os segue o tempo todo, com estonteantes tomadas de 360°. Três horas depois, Paulo já estava no Armazém Café para rodar a cena do taxi. Apesar do calor esmagador que fazia, lá estava ele, vestindo o seu terno. No fim da rua, via-se a praia do Leblon e o taxi amarelo do Paulo. O motorista, como era de se esperar, se dispôs a participar da filmagem. Alguns minutos de preparação e pronto: “Ação!”. Todos se concentram para o ultimo plano contínuo pela Av. Delfim Moreira, na orla. O diretor faz o sinal positivo com a mão, anunciando o fim da jornada de trabalho.

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Quarta-feira 20 de fevereiro de 2018, 18h: ultimo dia de filmagem, na BiblioMaison, a biblioteca do Institut Français do Brasil fecha para o publico e a equipe entra para filmar, nos grandes sofás do salão principal. No mezanino, Marcella, Charles e Fanny, que acabaram de se conhecer, fazem de conta que são amigos há anos. A energia flui e as sequencias se encaixam, até que o diretor esteja satisfeito: “Corta!”

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O Bureau du livre do Institut Français tem o prazer de apresentar o trailer de sua biblioteca digital, a Culturethèque, com a participação dos atores da Companhia teatral “Morrinho”: Cirlan Souza de Oliveira, David Smith Pereira Martins, Denise dos Santos Moreira, William dos Santos Cunha, Alexandre Marcel Ribeiro, José Renato Vaz, Rossana Ahes, Daniel Pereira Campion, Francigerry Rubim da Silva, Charles Scottá, Marcella Ferreira Mociel e Paulo Pereira Lopes.

“Porque eu faço teatro? Veja, eu já me fiz essa pergunta varias vezes. E a única resposta que me veio pode parecer desoladoramente banal, mas acontece que o palco é um dos (poucos) lugares do mundo onde eu sou feliz” (Albert Camus).

Agradeço de coração aos atores Luan Carlos Pereira Machado e Maria Clara Rolim pela ótima participação, sem esquecer de Fanny, Diana, Paulo, Luisa, Luiz, Raisa, Sandra, Madeleine, Rayssa, Fernando, Thiago, João e Denise, figurantes de uma cena só, e a Vinicius por esse lindo encontro, Marcos, Gustavo e Diego, uma equipe nota dez!

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Texto e fotos : Marlène Bertrand
Edição do vídeo : Moov production

publié le 28/03/2018

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