“Machismo não faz meu gênero”

Laurence Rossignol, senadora francesa e ex-ministra dos direitos das mulheres, veio à BiblioMaison para um encontro-debate a convite do coletivo feminista 4D.

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Lena Lavinas (UFRJ), Laurence Rossignol, Jacqueline Pitanguy, ex-ministra dos direitos das mulheres no Brasil, e Carla Rodrigues pesquisadora na FAPERJ

O encontro aconteceu nesta quarta-feira (16), no espaço cultural do Consulado Geral da França, Bibliomaison. “Um lugar que sempre teve em suas vertentes a liberdade de expressão, inclusive durante os anos mais sombrios do Brasil”, lembra o Cônsul da França, Jean Paul Guihaumé, que afirmou se sentir honrado em receber a senadora para discutir a questão dos direitos das mulheres no mundo.

Além de Rossignol, o evento contou com a participação de Jacqueline Pitanguy, socióloga e ex-ministra dos direitos das mulheres no Brasil, e de Carla Rodrigues, filósofa, professora na UERJ e pesquisadora na FAPERJ. E teve mediação de Lena Lavinas, professora de economia da UFRJ. O objetivo do encontro, intitulado “Machismo não faz meu gênero”, foi apresentar um painel de questões às quais as mulheres são confrontadas no dia a dia.

Laurence Rossignol é uma mulher, feminista, militante, ecológica e politica francesa que carrega várias bandeiras. Luta pela emancipação das mulheres e apoia movimentos como “#MeToo” (eu também) e seu equivalente francês “#Balancetonporc” (denuncia seu porco). E critica a ambiguidade do governo em relação à luta feminista, assim como o Artigo 2 da nova lei Schiappa, projeto contra as violências sexuais e sexistas na França. Sua crítica ao artigo vem do fato de que, segundo a senadora, a nova lei poderia prejudicar as vítimas, ao invés de auxiliá-las.

Sabemos que o contexto sobre os direitos femininos na França e no Brasil são bem diferentes. Mas ambos os países têm algo em comum: o reconhecimento das mulheres como sujeito de direito. Ou seja: elas não precisam estar vinculadas juridicamente a um pai ou marido.

A partir dessa conquista, fundamental na luta pela igualdade, vieram outras: direito a estudo, voto, trabalho, vida social. Hoje, os desafios residem em efetivar as conquistas jurídicas e, principalmente, em modificar antigos hábitos impregnados na sociedade, como a discriminação e cultura do estupro.

Dos temas abordados, alguns pontos ressaltaram: o assédio moral e sexual, e como eles podem ser tolerados pelas sociedades até acontecer uma barbárie; a reivindicação dos direitos sobre o corpo da mulher e a despenalização do aborto; a educação e o risco que ela representa para o fim das desigualdades; e, por fim, a reivindicação da paridade na representação politica, “porque quando as meninas decidem estudar, elas querem dar uma utilidade aos seus diplomas”, brincou a senadora.

Depois do debate, houve uma sessão de perguntas. Mônica Benício, companheira de Marielle Franco, agradeceu a presença de Laurence Rossignol, quando se completam dois meses do assassinato da vereadora, cuja luta abraçou as causas defendidas pela francesa. Pré-candidatos às eleições no Rio de Janeiro estavam presentes, insistindo na importância de abordar no debate político os temas ali tratados.

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Laurence Rossignol

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Laurence Rossignol e Florence Poznansky (Conselheira consular eleita da circunscrição Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais)

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Tarcísio Mota, David Miranda (vereadores) e Mônica Benício (companheira de Marielle Franco)

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O cônsul geral e Rossignol confraternizam com algumas das convidadas

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Mônica Benício (companheira de Marielle Franco)

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publié le 17/05/2018

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