Manoel Bernardes, Cônsul Honorário da França em Minas Gerais, condecorado com a Ordem do Mérito

O Embaixador da França, Laurent Bili, condecorou no ultimo dia 23 de maio Manoel Bernardes, Cônsul Honorário da França em Minas Gerais, com a Ordem Nacional do Mérito, homenageando a sua incansável dedicação aos valores da França.

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Manoel Bernardes é um grande joalheiro brasileiro, que se tornou Cônsul Honorário da França em Minas Gerais em 2004. Com o seu amor pela cultura francesa, Manoel se voltou para a comunidade francesa no Estado de Minas Gerais, realizando importantes avanços e ajudando a multiplicar o numero de brasileiros que foram estudar na França. Envolvido de coração com a sua missão, ele divulgou a cultura francesa no Estado de Minas Gerais com uma dedicação exemplar.

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Veja o discurso do Embaixador na ocasião da condecoração:

“Caro Manoel,

É sempre um imenso prazer e uma honra fazer a entrega de uma condecoração, ainda mais quando se tem a sorte de poder condecorar, como essa noite, um amigo.
Amigo de nossos convidados aqui reunidos, amigo do Embaixador e do Cônsul Geral, amigo de todos os Chefes Consulares que se sucederam ao longo dos últimos dez anos em Brasília e no Rio de Janeiro, a quem Manoel tanto ajudou, e em nome dos quais queremos homenageá-lo hoje.

Permitam, portanto, que eu me lance nesse exercício impossível de resumir em poucas frases o percurso de uma vida e os grandes méritos do Manoel, quem pelos serviços prestados à França, tem o mérito de ser condecorado com a Ordem Nacional do Mérito.

“Um verdadeiro homem é o seu próprio pai”, escreveu Jean Anouilh, um dos autores prediletos de Manoel. Tendo sido o primeiro dos oito filhos da família, Manoel foi levado por força das circunstancias a assumir desde muito cedo responsabilidades importantes. Com a morte brutal de seu pai, sua vida mudou completamente quando aos 19 anos Manoel teve que assumir as rédeas da empresa da família, com a ajuda de sua mãe e de seus irmãos menores, ao mesmo tempo em que continuava com seus estudos na Escola de Engenharia, e depois de Arquitetura.

Fiel ao legado familiar e apaixonado por pedras como havia sido o seu pai, Manoel fez crescer a empresa familiar apostando no sucesso das lojas de departamentos inauguradas nos anos 70, quando ele deixou de ser atacadista para se dedicar à criação de coleções. Na empresa da família, cada um pode desenvolver sua vocação; Manoel, que queria ser arquiteto, começou a desenhar as linhas de joias. Foi buscar inspiração nos livros de arte e também em suas viagens pela América do Norte, Europa e Ásia, onde observava atentamente os gostos e tendências.

Manoel viajou muito, mas permaneceu sempre ancorado às terras de Minas Gerais, onde nasceu de uma família portuguesa lá radicada. Ele sempre lutou para manter nas mãos dos mineiros o comércio das pedras de Minas, sempre cobiçadas pelos paulistas. Sabemos que ele é bem mineiro, com seu jeito reservado, sua modéstia e a gentileza que caracterizam o homem descrito por Carlos Drummond de Andrade: “Ser Mineiro é ter simplicidade e pureza, humildade e modéstia, coragem e bravura, fidalguia e elegância”.

Agora vou falar um pouco de seus laços com a França, que começaram com uma historia de amor.

Foi a historia de seu encontro com Vera, sua esposa há 36 anos, na Aliança Francesa de Belo Horizonte, onde Vera dá aulas de literatura. Alias, agora existe também outro Emmanuel, que ficou famoso na França, que teve uma historia de amor com sua professora…!

Manoel estudou francês na Aliança Francesa junto com os seus irmãos, sem que tivesse nenhum projeto especifico ligado ao nosso país, mas simplesmente porque estudar francês fazia parte da educação humanista que os seus pais queriam inculcar nos filhos. E depois ele permaneceu sempre próximo à Aliança Francesa, dando todo o seu apoio.

Em dezembro de 2004, Manoel Bernardes foi nomeado Cônsul Honorário da França em Belo Horizonte. As pessoas às vezes se perguntam: Para que serve um Cônsul Honorário? Sua missão é de ajudar os nossos compatriotas em seus trâmites administrativos, dar assistência aos franceses com dificuldades, facilitar os procedimentos para os alunos que desejam estudar na França, mas também, e principalmente, representar nosso país em Minas Gerais, considerado como um estado de grande importância para nós.

Ninguém se dedicou tanto quanto Manoel Bernardes às suas funções, hospedando a agencia consular em seu próprio escritório, abrindo para nós a sua ampla rede de contatos e amizades, organizando as visitas de nossas autoridades e intercedendo em favor das empresas francesas que desejam se desenvolver no Estado de Minas.
Com o apoio do Adido de Cooperação Cultural destacado em Belo Horizonte, Manoel Bernardes foi um dos principais artesãos das solidas relações tecidas entre o Estado de Minas Gerais e a região de Hauts de France e também com a rede Uniminas, que reúne as principais Universidades que têm uma cooperação com a França. Não é por acaso que hoje em dia o Estado de Minas Gerais é o segundo do Brasil a enviar o maior numero de estudantes brasileiros para estudar na França.

Se Manoel aceitou a proposta de ser nosso Cônsul Honorário, não foi para conquistar títulos e honrarias, ou porque precisasse se ocupar, logo ele, que sempre soube conciliar sua intensa atividade profissional com uma disponibilidade constante junto à família e aos amigos, mantendo ainda o gosto insaciável por leitura, por aprender e por adquirir cultura. Acredito que se Manoel resolveu aceitar essa incumbência, foi por amor à cultura francesa e pelo prazer que ele tem de divulgá-la aqui em Minas Gerais.

E essa herança, Manoel também passou para os seus dois filhos, Daniel e Gabriel. Daniel, o mais velho, mora inclusive na França, terminou seus estudos superiores na Escola Polytechnique e adquiriu a nacionalidade Francesa. Quero associar, portanto, nesta condecoração uma homenagem à sua esposa e seus filhos, que estiveram sempre presentes, apoiando suas escolhas e cercando-o de afeto.

O que mais impressiona aos que conhecem um pouco o Manoel, é o que Vera chama de sua “mania”: Extremamente atencioso com todos, ele sabe ouvir e demonstra total abnegação ao servir o próximo.

Sua força, eu acho que Manoel vai buscar no que Marguerite Yourcenar – outra escritora favorita - chama de “liberdade de aquiescência”: a arte de saber escolher o que se tem, e de se obrigar a fazer o melhor possível e enfrentar a sorte diante de uma tempestade em alto mar, aproveitar o que surge inesperadamente, e saber, com uma mistura de reserva e audácia, submissão e revolta, exigência e concessão, aceitar a si mesmo.

Para terminar, acho que Manoel se reconhece bem na filosofia de vida quase “mineira” de Jean Anouilh: “A vida é um livro bom de se ler, uma criança brincando aos seus pés, uma ferramenta na mão, um banco em frente de casa para descansar ao anoitecer”.

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publié le 13/06/2017

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