Ministro do Meio Ambiente abre o I° Seminário Nacional sobre Combate ao Lixo no Mar no espaço MAISON

O Ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, abriu o I° Seminário Nacional sobre Combate ao Lixo no Mar no espaço cultural MAISON. O Seminário, promovido pelo Ministério do Meio Ambiente, ONU Meio Ambiente e Instituto Oceanográfico da USP, é um primeiro passo para debate sobre Plano Nacional de Combate ao Lixo no Mar

Nesta ocasião, especialistas da sociedade civil, academia e empresas apresentaram dados sobre o impacto socioeconômico e ambiental do lixo no mar e soluções para reduzi-lo.

O encontro, que aconteceu entre 6 e 8 de novembro, contou com a presença do Ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, e da representante da ONU Meio Ambiente, Denise Hamú. O Cônsul-geral adjunto, Jean-François Laborie, teve a honra de abrir o Séminario, lembrando para platéia a importância do tema para França.

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Da esquerda para direita: Jean-François Laborie, Cônsul-geral adjunto da França no Rio de Janeiro, Denise Hamú, representante da ONU Meio Ambiente no Brasil, José Sarney Filho, Ministro do Meio Ambiente, Alexander Turra, represantante do Instituto Oceanográfico da Universidade De São Paulo.

Por que um Seminário Nacional sobre Combate ao Lixo no Mar?

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Estudos apontam que 8 milhões de toneladas de plásticos acabem nos oceanos todos os anos e que, até 2050, 99% das aves marinhas terão consumido plástico. Os desertos de lixo plástico no fundo dos oceanos têm uma origem: a produção e consumo excessivos de descartáveis e seu descarte incorreto. Para identificar as fontes e desenvolver políticas públicas para mitigar o problema, o Ministério do Meio Ambiente (MMA), em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (ONU Meio Ambiente) e o Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IOUSP), promovem, entre 6 e 8 de novembro, no Rio de Janeiro, o I Seminário Nacional sobre Combate ao Lixo no Mar.

Com o apoio da World Animal Protection e do Consulado Geral da França no Rio de Janeiro, que também sediará o evento, o Seminário é o primeiro momento do processo de elaboração do Plano Nacional de Combate ao Lixo no Mar, a ser desenvolvido pelo governo federal. Compromisso assumido durante a Conferência dos Oceanos, a estratégia nacional reconhece a urgência do tema e a necessidade do esforço organizado de todos os setores da sociedade. Um primeiro mapeamento de atores, pesquisas, impactos e soluções será feito no Seminário do Rio, para, em 2018, encontros setoriais aprofundarem as discussões sobre as medidas necessárias que deverão constar no Plano.

Ao longo de cinco painéis, pesquisadores apresentarão os resultados de estudos do impacto de macro e microplásticos na biodiversidade marinha e representantes do governo e de empresas apresentarão ações já em curso para redução desse impacto. Entre os casos, será apresentada a iniciativa da Associação Comercial de Paraty (RJ), que há dois meses proibiu o uso de copos plásticos descartáveis nas embarcações turísticas, substituindo-os por copos reutilizáveis em sistema de consignação. O programa, com grande potencial de replicação em outras atividades e municípios, espera evitar o consumo de dois milhões de copos descartáveis em um ano.

Outra questão que o seminário colocará em pauta são os desafios de mobilizar a população para mudança de comportamento em relação ao consumo de descartáveis e para a correta destinação do lixo. Também serão temas de painéis as estratégias de sensibilização, a formação de redes e frentes parlamentares e a cobertura da imprensa sobre o tema.

“A mobilização de atores centrais e o processo participativo das discussões, com espaço para sociedade civil, são fundamentais e um ótimo início para o alcance de um plano nacional efetivo, que traga novas perspectivas para o futuro dos nossos mares”, afirma Denise Hamú, representante da ONU Meio Ambiente. A agência apresentará sua campanha global Mares Limpos, que conta com o apoio de trinta países e busca disseminar a informação sobre os riscos do plástico para a qualidade dos oceanos.

Discurso do Cônsul geral adjunto da França no Rio de Janeiro, Jean-François Laborie

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Prezados Senhoras e Senhores,
José Sarney Filho, Ministro de Estado do Meio-Ambiente,
Alexander Turra, representante do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo,
Antônio da Hora, Secretário de Estado do Ambiente do Rio de Janeiro,
Jair Vieira Tannus Junio, Secretário de Recursos Hídricos e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente,
Denise Hamú, representante da ONU Meio Ambiente no Brasil,
e Ricardo Gomes, Diretor do documentário Urban Bay;

Boa noite a todos. É para mim um grande prazer e uma honra estar aqui para recebê-los no Seminário sobre o combate ao lixo no mar.

Quero cumprimentar o Brasil pela realização deste primeiro seminário.

Como vocês já sabem, a França assumiu uma posição clara na luta contra as mudanças climáticas durante a Conferência do Clima – COP 21 – de Paris, em novembro de 2015.

A comunidade internacional (com raras exceções) adotou o Acordo de Paris como uma resposta conjunta inédita, para enfrentar os problemas do desequilíbrio climático. O Brasil também assumiu um papel importante neste movimento, e isso é muito animador. Eu agradeço vocês.

Além do aquecimento global, desde a Conferência das Nações Unidas sobre o ambiente, que aconteceu em Estocolmo em 1972, a França sempre esteve à frente dos movimentos mundiais para enfrentar os desafios ambientais, e tomou para si a responsabilidade de continuar a fazê-lo.

Uma boa prova disso foi o chamado que o Presidente Emmanuel Macron fez a pesquisadores, professores, empresários, associações, ONGs, estudantes e à sociedade como um todo, pela mobilização geral e apoio aos movimentos contra o aquecimento global.

A França também tornou-se o primeiro país do mundo a proibir a venda plásticos de uso único, como copos, taças, pratos, talheres e outros utensílios descartáveis, graças a uma lei aprovada em agosto de 2016.

A medida passará a valer integralmente em 2020, o que dá bastante tempo para os fabricantes e estabelecimentos comerciais, incluindo restaurantes e supermercados, se adequarem às novas regras.

Segundo a nova lei, esses produtos deverão ser, pelo menos, 50% constituídos por materiais de origem vegetal e serem biodegradáveis.

Recebemos aqui hoje os cinco candidatos cariocas (entre vinte concorrentes de todo o Brasil). Graças a vocês e aos seus projetos, poderemos sem duvidas continuar a reforçar a cooperação técnica e científica entre os nossos países, pela proteção do meio-ambiente.

Digo reforçar, porque já realizamos juntos vários projetos institucionais ligados à preservação do meio-ambiente: Temos 10 laboratórios e grupos franco-brasileiros dedicados à pesquisa ambiental no Brasil, e acabamos de criar o Programa Guyamazonas, que financia projetos de pesquisa na região amazônica, além de um grupo de acadêmicos franceses e brasileiros que estão organizando um colóquio sobre a biodiversidade.

Recentemente, patrocinamos uma visita técnica de membros do Instituto Estadual do Ambiente a diversas instituições que desenvolvem atividades relacionadas na França, cujos representantes virão em breve ao Rio de Janeiro. As atividades no setor são inúmeras.

Ao lançar a campanha de sensibilização sobre o lixo no mar, a ONU está dando inicio a um novo capitulo do Antropoceno: o impacto do homem sobre o planeta é um problema anunciado, especialmente no caso do mar, que tem um papel crucial no equilíbrio ecológico do planeta.

Eu fiquei surpreso, quando li no site da ONU que cada vez que usamos uma maquina de lavar roupa, produzimos cerca de 2000 partículas de micro-plastico, que serão fatalmente jogadas no mar e parcialmente ingeridas por seres vivos. Li também que 99% dos pássaros marinhos terão provavelmente absorvido pedaços de plástico até 2050, e isso sem falar das 8 toneladas de lixo plástico que já estão flutuando nos oceanos…

É claro que essa luta só poderá ser levada adiante com uma cooperação internacional a longo prazo, com campanhas de conscientização de reflexão sobre o problema.

Por isso, repito aqui minhas palavras iniciais: é um prazer e uma honra, receber aqui este Seminário sobre o lixo no mar. Sem duvida estamos contribuindo com a sensibilização sobre as questões do meio-ambiente, e este trabalho é mais um passo dessa luta.

Agradeço pela atenção e desejo a todos um excelente evento.

Mais informações e transmissão ao vivo

Com inscrições esgotadas, o seminário foi transmitido ao vivo nos dia 7 e 8 de novembro nas redes sociais da ONU Meio Ambiente (Facebook e YouTube).

Conheça a programação completa do evento baixando o arquivo abaixo:

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Para saber mais da campanha da ONU Meio Ambiente Mares Limpos visite: cleanseas.org (também em português)

Para mais informações, por favor, contate:
Imprensa ONU Meio Ambiente:
Flora Pereira, comunicacao@pnuma.org, 61 3038-9237
Assessoria de Comunicação Social do Ministério do Meio Ambiente: imprensa@mma.gov.br, 61 2028-1227/1311/1437

publié le 09/11/2017

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