Os Franceses do Rio – Setembro de 2017

Regularmente temos um pequeno encontro com Franceses que escolheram o Rio para morar. Com algumas perguntas – sempre as mesmas – apresentamos rápidos retratos, através dos quais poderemos conhecer melhor essas pessoas. Esse mês, entrevistamos Lûa Bastida, que veio trabalhar como voluntária junto à uma ONG.

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Fiquei comovida com jeito de ser dos brasileiros, que tem uma bondade e uma simplicidade que vão me fazer querer voltar sempre para cá

Por que você escolheu o Rio?

Eu já tinha estado no Rio quando era mais nova. Eu lembro que fiquei impressionada com o enorme contraste que existe entre as paisagens de cartão postal e as condições de vida tão difíceis do povo Carioca. Na verdade, foi essa sensação de contraste que me fez querer voltar, assim que eu completei 18 anos, para trabalhar num projeto social para ajudar crianças carentes.

Quais foram as suas primeiras impressões quando chegou aqui?

Justamente, foram dois sentimentos contraditórios que me moveram. Primeiro, fiquei maravilhada com as praias imensas, as montanhas, o Pão de Açúcar... Mas rapidamente todo esse entusiasmo inicial foi se transformando em perplexidade.
Vim como voluntaria para trabalhar com uma ONG local, e logo percebi as dificuldades da população, preocupada devido aos grandes desafios que o país tem que enfrentar.
Também fiquei comovida com o jeito de ser dos brasileiros, que tem uma bondade e uma simplicidade que vão me fazer querer voltar sempre para cá.

Qual a sua profissão, suas atividades principais atualmente?
Esse ano eu voltei para trabalhar com a ONG “EMARCA”, com a qual eu já trabalhava há dois anos, e dessa vez eu vim para fazer a divulgação do trabalho nas redes sociais.
Essa ONG promove a educação de crianças na Favela da Barreira do Vasco, junto com vários parceiros estrangeiros. O pessoal da EMARCA se desdobra para oferecer alternativas educativas às crianças dessa comunidade no Rio Nós nos reunimos com as crianças várias vezes por semana, para dar aulas de reforço nas matérias que elas aprendem na escola, mas que nem sempre entendem muito bem. Na verdade, o analfabetismo é um problema sério, e é por isso que nos tentamos, ainda que modestamente, suprir as carências dessas crianças.
Essa favela especificamente ficou infelizmente conhecida por causa de uma rede de prostituição infantil que funciona lá. Nós lutamos, portanto, todos os dias, para oferecer a essas crianças aquilo ao que elas têm todo o direito: educação e o direito de ser simplesmente criança.

Como o governo brasileiro não no da nenhuma ajuda, nosso objetivo é de fazer a ONG ficar conhecida junto à comunidade de pessoas de outros países que vivem no Rio de Janeiro, a quem nós esperamos sensibilizar e fazer ver os problemas enfrentados pela população carente.

O que foi que o Rio mudou em você?

Posso dizer que a cidade me fez pensar muito sobre a minha vida na França. E também que me fez modificar meus valores. Eu me considero como uma pessoa simples e engajada, aberta a escutar os outros.

Para você, o que é ser Carioca?
É ser altruísta, solidário. Apesar das condições de vida que muitas vezes são difíceis, o povo não perde sua dignidade. É também ser feliz, festeiro, generoso. Nunca recebi tanto na minha vida, quanto agora, frequentando as favelas.

Se você tivesse que escolher um lugar do Rio, qual seria?
Seria a Barreira do Vasco, a comunidade onde eu trabalho. Foi lá que eu conheci as pessoas mais legais, como os educadores Antônio e Carlão, a assistente social Eliana, além, é claro, das crianças.
Lá eu me sinto realizada, segura e útil. Em nenhum outro lugar eu pude sentir tamanha satisfação.

O Rio em três palavras:
Maravilha
Revolta
Dualidade

publié le 11/10/2017

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