Os franceses do Rio - dezembro 2016

Todo mês, apresentamos a vocês um rápido encontro com Franceses que decidiram vir morar no Rio. Algumas perguntas, sempre as mesmas, traçam os seus perfis e permitem que conheçamos nossa comunidade um pouco mais.

Damien Desnos: O Rio é "maravilhas, contrastes e malandragem"!

JPEG

Damien tem 30 anos e mora no Rio há pouco menos de um ano. Empresário, ele é instrutor de “Consciência Plena” e aguarda o nascimento de seu filhinho franco-carioca!

Cidade natal: Dol de Bretagne
Bairro do Rio: Gloria

Há quanto tempo você mora no Rio de Janeiro?
Desde janeiro de 2016.

Você tem filhos?
Ainda não, mas em breve serei o pai de um franco-carioquinha!

Porque você escolheu o Rio?
Eu escolhi o Rio por causa da natureza. Eu fui criado numa cidade do interior, mas fui me acostumando, à medida que fui crescendo, a morar na cidade. Depois de ter morado 4 anos em Paris, eu queria estar mais perto da natureza, sem perder a comodidade e o dinamismo característico das metrópoles. Sendo casado com uma Brasileira (de São Paulo), nós resolvemos vir morar no Brasil, para criar nossa família aqui. A única condição que eu coloquei para a minha esposa foi a seguinte: “Tudo bem, nós vamos morar no Brasil, mas tem que ser no Rio!” Não foi difícil convencê-la.

Quais foram as suas primeiras impressões quando você chegou aqui?
Eu já conhecia o Rio como turista. Minha primeira reação quando vim morar aqui foi de pensar “vai ser fácil, vou ter a impressão de estar sempre de férias!”. Já faz quase 10 anos que eu moro aqui, e ainda tenho essa mesma impressão. Continuo vendo as paisagens do Rio como se fosse pela primeira vez, fico impressionado com a natureza exuberante no meio da cidade, esse triangulo amoroso entre floresta, montanha e mar. Tenho a impressão de redescobrir o Rio todo dia!

Qual a sua ocupação profissional, o seu compromisso, a sua principal atividade atualmente?
Sou empresário, dirijo a empresa ClaraMente e sou instrutor das técnicas de Consciência Plena (Mindfulness). Consciência Plena é um programa de técnicas que reúne meditação e consciência corporal, para despertar um bem-estar profundo, onde podemos dirigir nossa atenção intencionalmente e sem julgamentos para a experiência que está acontecendo a cada instante – tudo isso com abertura, com curiosidade e boa vontade. A ideia é de viver plenamente cada momento, sem se preocupar com o futuro e sem ficar ruminando o que já passou. Eu atendo clientes individuais e trabalho também com empresas, tenho um programa de 8 sessões em que as pessoas aprendem a meditar sozinhas e conseguem assim reduzir o nível de estresse para ter um dia-a-dia mais harmônico, com clareza mental (daí o nome ClaraMente!), aumentando assim a alegria de viver, vivendo apenas o momento presente!

O que é que o Rio mudou em você?
O Rio me proporcionou a realização de um sonho antigo, que era de ser instrutor de meditação. E essa cidade me fez entender que tudo é possível, basta acreditar. O otimismo brasileiro e a desenvoltura Carioca me inspiram em diversos aspectos, e isso me ajuda a relativizar os problemas e a acreditar sempre que "vai dar tudo certo" ("na verdade, já deu!").

Ser Carioca, para você é o quê?
“Não julgar” é o primeiro ensinamento da Consciência plena, então eu vou tentar não falar dos cariocas e sim do carioca. Ser Carioca é para mim um estado de espirito. É uma espécie de leveza que beira a impertinência, um sentir-se tão bem que é quase insolente. A ginga carioca e o jogo de cintura fazem as pessoas ficarem bem em qualquer situação. É também o orgulho de morar na cidade maravilhosa, com uma pontinha de chauvinismo – o que é cabível, quando se vive em um dos lugares mais bonitos do planeta. Para resumir, ser Carioca é parecido com ser Bretão, tendo ainda por cima o sol! É como ser um Breizhilien.

Se você tivesse que escolher um lugar do Rio, qual seria?
Sem duvida alguma, o Aterro do Flamengo. É um lugar popular, onde todas as camadas da sociedade se encontram para praticar diversas atividades, a qualquer hora do dia. Um programa típico no Aterro? Eu começo de manhã cedo caminhando na beira da praia, emendo com uma sessão de meditação de frente para o mar, continuo com meus exercícios de yoga e um pique nique com os amigos, na grama debaixo dos coqueiros. De tarde dá para tirar uma soneca ali mesmo e depois jogar vôlei na areia e dar uns passinhos no slackline. Para terminar, um brinde! (eu disse que sou Bretão?).

O Rio em três palavras:
Maravilhas, contrastes e malandragem.

Sessão de meditação "Consciencia Plena" no espaço MAISON com o Damien Desnos, nos dias 10 e 12 de janeiro de 2017.

Martine Brillard: O Rio é "natureza, contrastes e cultura"!

JPEG

Martine Brillard, de 51 anos, nasceu em Paris e cresceu em Nîmes. Ela veio para o Brasil há 20 anos, mora na Lapa e tem um filho Franco-Brasileiro de 13 anos.

Cidade natal: Paris, mas eu cresci em Nîmes
Bairro do Rio: Lapa

Há quanto tempo você mora no Rio de Janeiro?
Moro no Rio há 20 anos.

Você tem filhos?
Tenho um filho de 13 anos, Franco-Brasileiro.

Porque você escolheu o Rio?
Desde a minha infância, sempre fui fascinada pelo Rio e pela musica brasileira, sempre sonhei em vir para o Rio, um berço da musica, da natureza e da cultura.

Quais foram as suas primeiras impressões quando você chegou aqui?
Minha primeira impressão quando cheguei no Rio pela primeira vez foi de uma profunda emoção, e a certeza de ter encontrado o meu espaço no mundo, o lugar onde eu queria ficar pra sempre.

Qual a sua ocupação profissional, o seu compromisso, a sua principal atividade atualmente?
Sou artista plástica, formada na Escola de Belas-Artes de Paris. Durante os meus 10 primeiros anos no Rio, eu trabalhei principalmente para a indústria do entretenimento, pintando figurinos e cenários do Teatro Municipal, e também para a TV Globo e o cinema. Participei de algumas exposições coletivas, a maioria com outros franceses, no Espaço Cultural dos Correios. Dei aulas na Escola de Artes de Maria Theresa Vieira, e no meu próprio ateliê. Recentemente eu abri ao publico o meu ateliê ‘Rio de Martine’, que fica no meu sobrado, rua Joaquim Silva 44, na Lapa. Aqui eu exponho minhas telas e os produtos que eu crio com elas. O tema das minhas pinturas é essencialmente a musica e as rodas de samba. Gosto de compartilhar o meu amor pela cidade do Rio com o publico estrangeiro, para incita-los à conhecer os encantos da parte antiga da cidade, para convida-los a admirar a arquitetura e o patrimônio cultural, inclusive as influências francesas, para tomarmos juntos um café e abrirmos um mapa da cidade para localizar coisas bonitas de se ver, lugares escondidos e surpreendentes, dar dicas, etc...
E como a cultura carioca me interessa de um modo especial, eu pintei, durante uma ocupação cultural da Rua Morais e Vale (uma das ruas mais antigas da Lapa), um mural homenageando três personagens importantes que moraram nesta rua: a pianista e compositora Chiquinha Gonzaga, o polêmico Madame Satã, e o poeta Manuel Bandeira.

O que é que o Rio mudou em você?
O Rio mudou a minha forma de viver e de perceber a vida, de prestar mais atenção aos outros, a mim mesma, à natureza, viver cada momento no presente, cultivar o otimismo e a alegria de viver.

Ser Carioca, para você é o quê?
Ser carioca, para mim, é justamente ter a capacidade de viver o momento presente, estar sempre aberto a descobrir coisas novas, novas culturas, novos amigos, novas ideias, ser curioso, adaptável, festivo e principalmente positivo.

Se você tivesse que escolher um lugar do Rio, qual seria?
Por mim, já escolhi a Lapa.

O Rio em três palavras:
Natureza, contrastes e cultura.

Nicolas Bouriette: O Rio é "tropical, exuberante, extremo"!

JPEG

Nicolas tem 45 anos e mora no Rio ha 5 anos e tem uma filhinha de 2 anos. Fotografo de publicidade, faz ensaios para revistas especializadas em arquitetura, culinária, moda, eventos e arte.

Cidade natal: Pau, no sudoeste da França, mas eu morei durante quase 20 anos em Paris.
Bairro do Rio: Ipanema

Porque você escolheu o Rio?
Eu vim de férias para o Rio em agosto de 1998 e durante essa viagem conheci minha ex- companheira, uma brasileira de Niterói. Moramos juntos durante dois anos no Rio e depois nos mudamos para Paris. Em 2011, depois de nossa separação, eu voltei ao Rio para uma ultima visita, como se fosse uma espécie de despedida do Brasil. Vim de transatlântico, saindo da Itália. Resolvi alugar um quarto em Ipanema e foi assim que eu conheci a minha nova companheira, que tinha um quarto para alugar. Fomo juntos para Londres e passamos um tempo lá, e depois voltamos para cá.
O Rio representa para mim uma historia de encontros. Talvez essas histórias sejam um fruto da minha profunda vontade profunda de morar aqui.

Quais foram as suas primeiras impressões quando você chegou aqui?
O meu primeiro contato com o Brasil foi há mais de 15 anos. Eu senti uma mistura de confusão com bem-estar. Quando se chega ao Brasil pela primeira vez, ainda mais se for pelo Rio, sente-se uma energia incrível, deve ser uma força da natureza. Essa mistura exuberante e maravilhosa de mar, lagoas e montanhas, dá à cidade uma identidade única. Mas é claro, o Rio não seria o que é se não fossem os seus Cariocas, que fazem parte da energia da cidade. É uma maneira de viver que nos ensina a relaxar, a ter paciência e a aceitar as coisas.

Qual a sua ocupação profissional, o seu compromisso, a sua principal atividade atualmente?
Minha formação é artística, sou fotografo e professor de fotografia. Trabalho principalmente na produção de fotos editoriais e em publicidades de produtos, arquitetura, culinária, moda, eventos e arte.

O que é que o Rio mudou em você?
O Rio me deu consciência de como é importante estar em contato com a natureza e me fez adotar uma filosofia de vida. O tempo por aqui tem outra dimensão e as relações humanas são o que há de mais importante. Acho que o Rio também te dá a possibilidade de tentar e de se arriscar, porque os Brasileiros são geralmente muito abertos e aceitam as diferenças.

Ser Carioca, para você é o quê?
É uma mistura de imprudência, leveza e felicidade.

Se você tivesse que escolher um lugar do Rio, qual seria?
Cada bairro tem a sua identidade, não tanto pela arquitetura, mas por causa de seus habitantes. Gosto do bairro do Jardim Botânico, mais afastado da praia do que Ipanema, mas pertinho da mata tropical.

O Rio em três palavras:
Tropical, exuberante, extremo.

publié le 12/12/2016

haut de la page