Um 14 de julho inspirado pela missão artistica francesa no Museu Nacional de Belas-Artes

O Cônsul Geral da França no Rio de Janeiro, Brice Roquefeuil, organizou hoje no Museu Nacional de Belas-Artes (MNBA) uma festa de comemoração pelo dia nacional francês.

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O Cônsul Geral da França no Rio de Janeiro, Brice Roquefeuil, organizou no Museu Nacional de Belas Artes (MNBA) uma festa de comemoração pelo dia nacional francês. A festa teve como cenário o maravilhoso Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), graças à iniciativa da Diretora Monica Xexéu, grande parceira do Consulado Geral da França no Rio de Janeiro. Comemorando o dia da Queda da Bastilha e também os 200 anos da chegada da Missão artística francesa ao Brasil, o Museu abriu em avant-première duas exposições homenageando a França: “Missão Francesa”, com 33 fotografias de André Penteado, um olhar original do artista sobre a herança da Missão, e “Diálogo Contemporâneo”, uma série de obras de artistas brasileiros modernos e contemporâneos que têm uma ligação forte com a França.

E é claro, como em toda festa francesa, não podiam faltar os renomados queijos, oferecidos pela empresa Allfood! Os convidados também tiveram a oportunidade de degustar o saboroso espumante rosé Chandon Passion. Neste ano de despedida, o Cônsul fez questão de convidar os alunos da escola estadual bilíngue franco-brasileira de Niterói (CIEP449 Leonel de Moura Brizola) que entoaram, à capela, o hino brasileiro e o hino francês, sob o olhar emocionado do Ministro Joaquim Barbosa, que estava lá, prestigiando a França e o Cônsul Brice.

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Brice Roquefeuil, Joaquim Barbosa e Monica Xexéu

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Adriano_Giglio, coordenador do programa dupla escola na Secretaria do Estado de Educacao, Denise Azevedo, professora de frances do Ciep 449 Leonel de Moura Brizola, escola bilingue franco-brasileira de Niteroi, e Brice Roquefeuil.

A festa continou no Sábado 15 de julho, com um evento popular que transformou a Reserva Cultural de Niterói em reduto francês, da hora do almoço até a noite. A “Festa da Bastilha – Vive la France em Niterói!”, teve entrada franca e contou com a participação de grandes nomes da gastronomia francesa (Roland Villard, Christophe Lidy, Frédéric Monnier, Flavia Quaresma, Katia Hannequim...), com uma rica programação musical (15h Valerie Lu, 17h Marcos Nimrichter, 19h Marquinhos de Oswaldo Cruz, 21h DJ MAM convida Nicolas Krassik) e com a pré-estreia do filme francês “Saint-Amour, na rota dos vinhos” (21h), com Gérard Depardieu.

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Discurso do Cônsul Geral, no 14 de julho de 2017

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Para começar, agradeço ao Museu de Belas Artes por podermos estar aqui hoje para celebrar o dia 14 de Julho.

Há pouco menos de um ano, durante os Jogos Olímpicos, o Presidente Francês esteve aqui no Museu de Belas Artes para abrir as comemorações oficiais do bicentenário da chegada da Missão artística francesa ao Rio de Janeiro, inaugurando o quadro “Alegoria das Artes” de Léon Pallière, restaurado e apresentado então pela primeira vez ao publico carioca.

Formada por pintores, arquitetos e escultores, esta missão completamente única em seu gênero desembarcou no Rio no dia 26 de março de 1816 e disseminou o estilo neoclássico no Brasil, deu origem à Academia Imperial de Belas Artes e plantou as sementes de um relação cultural franco-brasileira extraordinária.

É natural que o fim dessas comemorações aconteça aqui no Museu de Belas Artes, com duas magnificas exposições que ilustram o quanto a herança da Missão permanece viva e atual até hoje, através da obra de grandes artistas brasileiros modernos e contemporâneos, cujas experiências foram marcadas por uma estadia na França ou com uma releitura bem original, como a que nos apresenta o fotografo André Penteado, que eu parabenizo.

Quero agradecer a todos os nossos parceiros aqui presentes, que contribuíram durante o ano todo com essas comemorações, pontuadas por exposições, performances artísticas, seminários e concertos: o Museu de belas Artes e o IBram, os Museus Castro Maya, a Casa de Rui Barbosa, a Sala Cecilia Meirelles, o museu Histórico Nacional, a Escola de Belas Artes da UFRJ, a Biblioteca Nacional, o centro Cultural dos Correios, a Pinacoteca do Rio, e a Casa França-Brasil. Cumprimento especialmente o dinamismo e a generosidade de nossa hostess Monica Xexéu, que teve um papel fundamental nesta programação.

Se por um lado a influência deixada pela França no Rio é forte, a impressão causada pela experiência brasileira em nossos artistas, pensadores, antropólogos e compositores não fica atrás.

No próximo Festival Internacional de Literatura de Paraty, será apresentada uma obra que reúne escritos realizados no Brasil em outra missão artística francesa realizada no Rio, que reuniu durante a primeira guerra mundial o escritor e cônsul Paul Claudel, que era na época o chefe da delegação francesa no Rio, e o seu secretario particular, o compositor Darius Milhaud. Tanto um quanto o outro foram profundamente marcados por essa temporada no Rio, e o livro é um testemunho do fascínio que o Brasil e os brasileiros exercem sobre nós, os franceses. Durante a segunda guerra mundial, foi também no Rio, “um dos lugares do mundo onde melhor se sabe ter esperança”, que Georges Bernanos veio buscar esperança. E agora eu vou deixar vocês meditarem um pouco numa frase de outro grande apaixonado pelo Brasil, o poeta Blaise Cendrars: “Foi no Rio que eu aprendi a desconfiar da logica”...

Enraizada nessa historia, a relação e a amizade franco-brasileiras se expressam tanto no presente quanto no futuro, inclusive nos períodos mais difíceis, como o que atravessa o Brasil atualmente. Um presente e um futuro nos quais acreditam as nossas empresas, que continuam mais do que nunca a investir no Brasil e no Estado do Rio, como:
-  RENAULT-NISSAN que abriu em Resende sua maior fabrica da América Latina;
-  TOTAL, parceira da Petrobrás na exploração dos campos de Libra;
-  L’OREAL, que inaugurou um centro de inovação na ilha do Fundão e está transferindo a sua sede para a Praça Mauá;
-  ALSTOM, que construiu com seus parceiros brasileiros o VLT carioca;
-  ACCOR, que tem atualmente mais de 25 hotéis no Estado do Rio;
-  ATOS, que instalou em Petrópolis um dos mais poderosos supercalculadores da América Latina;
-  EDF-AREVA, que está construindo em Angra o 3° reator nuclear brasileiro;
-  DCNS, que está construindo com a ITN em Itaguaí os submarinos que farão parte da frota brasileira em 2018.

Em 2016, no auge da crise no Brasil, a França e suas empresas se tornaram o segundo provedor de investimentos estrangeiros diretos no Brasil, demonstrando a confiança que continuamos a ter neste país.
Esse presente e esse futuro se manifestam nas cerca de 900 empresas francesas que empregam quase meio milhão de brasileiros, ou de empreendedores individuais como Rolland Villard, que veio para o Brasil há mais de trinta anos e nunca mais foi embora.

Esse presente e esse futuro, são nossos estabelecimentos escolares, é o Lycée Molière, que além das famílias francesas recebe muitos alunos brasileiros, contribuindo assim com a formação de uma dupla cultura com aqueles que serão amanhã os representantes da relação franco-brasileira; é a escola municipal bilíngue de Niterói, um projeto educativo pioneiro, que abre novas oportunidades para esses jovens que estão hoje aqui conosco; é a nossa rede de Alianças Francesas.

A atração da nossa juventude pelo outro é também um sinal da confiança e da amizade que unem os nossos dois países. Os estudantes franceses formam a segunda comunidade estudantil estrangeira no Rio, e a França é o terceiro ou quarto destino preferido pelos estudantes brasileiros. Com a multiplicação dos acordos entre Universidades, com a criação de novas cátedras em comum, e com a abertura de uma representação do Instituto Pasteur francês na FioCruz, queremos fomentar o fluxo humano que tanto enriquece os nossos dois países e permitem o surgimento de novos vencedores da Medalha Fields, como foi o caso de Artur Ávila.

O Brasil está sempre pertinho do nosso coração, a França e os franceses sempre foram recebidos aqui com a cordialidade e a generosidade característica do povo brasileiro. Temos que reconhecer, como disse tão bem o escritor Georges Bernanos, o que nós devemos “A um povo que, apesar de ter alcançando sozinho a sua liberdade, nos dá constantemente a honra de associar o nome de nossa nação à sua própria ideia de liberdade”. Agradeçamos aos nossos amigos brasileiros por suas manifestações de solidariedade e de amizade na hora em que a França foi atingida por abomináveis atos terroristas, como foi o caso de Nice há exatamente um ano.

A França mora no Rio na Casa Europa, onde temos a companhia da Alemanha e onde esperamos receber em breve outros países membros da União Europeia. Para mim, isso é muito simbólico, já que o nosso destino está intimamente ligado ao da Europa. O Presidente da França fez da revitalização do projeto europeu uma de suas maiores prioridades: em suas próprias palavras, “Nos precisamos de uma Europa mais forte e renovada”, e de fazer “renascer o desejo da Europa”. É verdade que com o Brexit, a União Europeia se depara com um desafio sem precedentes, mas é sempre nesses momentos de crise que ela se reconstrói. Da mesma maneira, temos certeza que o Brasil também sairá fortalecido da crise que o assola atualmente.

Como é o meu ultimo 14 de julho no Rio, quero terminar agradecendo calorosamente:
- a todos os parceiros e amigos brasileiros que nos acompanharam em todos os nossos projetos,
- aos meus compatriotas, tão dinâmicos e integrados à vida no Rio, que contribuíram com o crescimento da relação franco-brasileira,
- a todos os que se dedicaram às obras sociais e caritativas, como nossa saudosa Françoise Lindemann, cuja memoria eu quero saudar aqui,
- e finalmente, e principalmente, à toda a equipe do Consulado, que me suportou (nos dois sentidos) durante esses quatro anos que passamos juntos e a quem eu vou deixar como quem se despede da família. Mas ainda não chegou a hora da despedida!

Feliz 14 de julho a todos e todas!

O evento na imprensa

Coluna lu lacerda: http://lulacerda.ig.com.br/festa-francesa-no-mnba-joaquim-barbosa-se-destaca/

Diaporama

publié le 11/08/2017

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